segunda-feira, 12 de abril de 2010
Fim
Elo perdido e o escambau
Parente de hominideo
E querem justificar a evolução desse animal
Superestimado
Bípede
Louvado
Tanta estima para a existencia
Já que ninguém se tolera
Muito menos se considera
É tudo tão igual
Que um é humano e o outro animal
Medo, alcool, cigarro
Sexo, masturbação, poeminha
Comida, bebida, escarro
Diploma, artigo, conversinha
Razão, emoção, vontade
Timidez,e-mail, saudade
Blog, mestrado, sociedade
Fome, chocolate, divindade
Importancia após morrer
Como importancia antes de nascer
Pode ser acaso, caso ou casamento
Pode ser deus ou o diabo
Começamos como uma porra
Vivemos em uma merda
Fragéis como porcelana
...
Fim
quarta-feira, 10 de março de 2010
Asco
Raiva, rubor e dor
Medo e oscilações. Mas, contudo
Tolice, carne e desejo
Continuou relevando em demasia,
nauseante e asqueroso
Lixo oportuno, ouve o que quer
Mas não diz o que deve
Sem círculos perfeitos ou consciências conscientes
Pensou em enganar quem?
Só se fosse a si mesmo.
Cortina caída ou queimada
Seda rasgada ou desfiada
Linha arrebentada ou não
Com 24 multiplicados por 3 quase 4
É como colocar a cabeça fora d'água
Confusa vontade com estupidez
Na alturas dos olhos
Sob o nariz alheio
Fazendo sombra com um caco de vidro
Se havia valor
Ficou estirado sobre aquela pista
Estilhaçado, estuprado
Moído e arrebentado
Algumas palavras a serem lidas
Talvez outro texto, outro desabafo
Outro momento, outra parte de mim
Deste lado e outra face
Nojo de si
bípede, demasiadamente humano
moribundo coração
Aterradas emoções
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Sépia
Eu corria naquele campo
Agora ele era tão verde
E o ceú tão azul
Eu nunca mais quero sair dele
Porém
Olhava ao redor
Buscava um norte
E sair dessa gelatina
Encontrei tantos outros
Precisávamos todos juntos de mais parafusos
Contemplar somente com os olhos parece que já não basta de mais nada
Tem de se fantasiar, saturar as cores e usar do sépia
A falta de cores, o cinza é mais belo do que o simples vislumbrar
E por tras de tantos sorrisos
havia esse muro
O que nos falta?
Não conseguimos fazer parte
Rasgamos de seu e do nosso couro
Bebemos diariamente o nosso sangue
E deliciam-se com as dores
Haviam mariposas voando, graciosamente por entre os ramalhetes
Tão coloridas, sobre o sépia natural do trigo
Rodopiavam em frente aos meus olhos
Como se fossem apontar o caminho
E eu corria, corria e não encontrava um destino
E quando me dei conta havia andado muito, mas não havia saido de lugar algum.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A sangria após o conceito do tempo
Ao falar o que se tem de mais abissal
Ao chocar aquilo que a tanto fora cultivado
O medo de ouvir
Desplugados da teia que envolve a mais frágil responsabilidade
Que como uma peneira mostra-se extremamente porosa
Faz assim, destoa do tom universal essa tua ruga
Pulsam timbres e tons que nos levam aos mais extremos sentimentos
Mata-me saber e ouvir
Sendo assim mostro os ossos
De tanto tempo sem expulsar
Sangrar, sofrer e de dor
Como se o peso do ar caisse em minha costas
E fizesse uma reavaliação
Devia ou não ter dito?
São palavras aqui que não falam de amor
Falam de vontade
Tal como imaginamos
sábado, 12 de dezembro de 2009
Bad Religion, Amados e uma história
Essa é uma pequena historia de um homem que perdeu suas chances e objetivos
Seu chão, seus territórios eram agora eram movediços
Não tinha certeza de mais nada.
Mas não era percepção subjetiva
Era reflexo do seu redor, não só dele, mas ninguém tinha mais certeza
O cianureto cheira agora como rosas, que florescem durante a primavera.
E ele não podia negar:
"Meus amados, gostaria de negar que sabia que o abismo era tão negro"
E que ao contrario de tentar subir, nos debruçamos cada vez mais a olhar o seu fundo.
Como uma vontade individual de diferenciação e de uma incerteza. Que alarma a todos, mas aqueles que se julgam, e talvez sejam mesmo, espertos, sabem que não vale a pena forçar os olhos.
O mundo continua girando em uma direção e orbitando o Sol.
Aquilo que era puro e belo, hoje é incerto.
E assim, em uma corda, bamba, escorregadia e de fio tênue o mantém
Sobre um abismo, que não deixa que seu fundo seja avistado
Enquanto palavras vomitam condolências e sua mente pulsa.
Mas essa corda ainda tem bastante fio até arrebentar
E ainda há outras onde se agarrar, algumas que ainda não arrebentaram.
E tal como os remendos que fazemos no mundo
Nosso personagem amarra cada vez mais para que essa corda não arrebente.
Que ela suporte o suficiente para que ele ainda possa citar palavras
E para que seus olhos ainda possam enxergar o Sol
Antes que fique cego
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Assim
Lentamente e inerte
Se passava, enquanto voava
E se pensava, é um grande beco
invisível, palpável
Vidro
Abria-se os braços
Sentia aquela musica escorrer por seus ouvidos
E a sensação que o fizera escrever fluía entre sua pele
por um instante, em meio a todo aquele caos
Sentia-se bem, um espasmo
Calma
Talvez vá ficar inerte por toda sua vida e mover-se somente na existência
Só um acidente para lhe mudar
Entrelaçar os braços no mais confortável corpo
E no seu banco de passageiro e a cabeça recostada no vidro
Sentia-se novamente completo, era como se aquilo fosse o que havia sido tirado de sua essência
Compreensão
Tentativa, passagem
Vida, desejo, vontade
Dor, sofrimento, morte e felicidade
Poder, moral e valor
Órgãos, sangue e ossos
Escassez, dúvida
Fonte
Vida
Existência
Contínuo...
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Longas lentas noites.
Esclarecem por escuridão e assim busca-se saida do já antes selado cofre.
A perspectiva é a mesma que se encontra ao mirar o horizonte de uma estrada que cruza o deserto, sob sede e sobre solo quente. E o Sol embriaga os ossos.