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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Após descobrir
A delicia de escrever,
Que é possível
De várias formas saber,
O quão apaixonante é
Algumas das muitas palavras dizer.

sábado, 29 de outubro de 2011

O silêncio é muito eloquente
Pena que de boca fechada
Qualquer idiota
Parece inteligente

Jogando Chaplin e Falcão no mesmo caldo haha
Ando deveras afiado
Parece que com facas
Meu Pensamento
Virou molde talhado

Trava lingua


Como de carne não mais aproveito
Como o que bem me entende
Como dela eu provenho
Tolero e de breve considero
Aquele quem aquela vende


Passo a noite em claro
Ouço um ruido
Solidão me ampara
Como anjo caído

Vejo
Um truque dentro da noite
Agora nas margens do Tejo
Onde latem sóbrios
Os cães do desejo

domingo, 23 de outubro de 2011

O discurso das sensibilidades


Algumas pessoas nascem, talvez, com uma sensibilidade mais apurada, ou então uma propensão a sentir as oportunidades sensíveis, com maior frequência. São essas pessoas que tornam a vida tão interessante, que nos apaixonam. Nesse caso e talvez em todos os outros, nos apaixonamos por sua arte, por suas palavras, pela poesia que elas fazem, a música que compõem ou escutam. Esses gênios são aqueles que conseguem extrair um fluxo, uma tensão e alguma coisa do óbvio e dos sentimentos que antes nós não havíamos percebido. Esses gênios tocam o coração, a alma, a pele, os nervos, a razão, os sentimentos, a carne, os ossos, os pensamentos, as sinapses, a nossa natureza, aquela divisão que foi chamada de cultura...
Tais homens, tal espécie, tal dominante é capaz das maiores atrocidades, terrores, aflições...
Tais homens, tal espécie, tal dominado é capaz dos maiores sorrisos, poesias, amores...
Os homens, os animais, as plantas, os espíritos, as estrelas, os planetas, as areais, as rochas...

Essa vida não deve ter razão e muito menos sentido. Ela deve ser simplesmente vida, vivida e amada.


" - Razão para que?

- A vida é um desejo, não uma razão."

Essas pessoas sensíveis, talvez passaram por uma labuta terrível, de razão e pensamentos que os levaram ao desespero, mas sentir... Sentir. Poucos passam com essa oportunidade...
Se desejar viver com intensidade, aprender a saborear as tristezas, ter uma dignidade triste e ainda sim sublime, soberba é algo que só os velhos podem ter, eu digo com muito orgulho que desejo, espero e aceito ser o mais velho dos homens. Carregarei a minha velhice prévia como um estandarte e irei deixá-lo bem alto, acima de todos os homens, de todas as tropas, acima das montanhas e se possível furando os céus. Criar uma chance onde todas as outras legiões consigam ver tal bandeira...

Mas não com um ar de querer ser reconhecido, não nasci para ser guia, comandante, ditador, líder, professor, educador, gerente, presidente ou um belo exemplo.
Certos homens - não falo de gêneros, não falo de sexo, não falo de malditos imperativos categóricos - podem notar uma sensibilidade após terem passado por algumas ou muitas agruras dos sem nervuras. Essas pessoas mexem com o que de maior e mais conflitante dentro de nós. Travam guerras incríveis, batalhas épicas onde onde no lugar de sangue, esvaem lágrimas, letras, palavras e textos...

A ciência, a razão, a ganância, a indiferença, a intolerância, o ódio, a resignação, a ordem, o progresso. os prazeres fúteis de um mundo raso mataram e ainda matam a única coisa que é possível de fazer valer as muitas existências, as vidas. Todas essas ideias são criações humanas que no final são extremamente indiferentes para o grande Universo, para a energia que o Sol queima e ainda sim, fazem parte de um grande cosmo, ainda tem um proposito... Bem como são ideias que podem e eu espero que sejam muito bem aproveitadas.
Aniquilamos a sensibilidade, a única chama que pode salvar qualquer coisa, qualquer coisa, qualquer coisa... Ela é o único relato, o único trapo, a única certeza, a ultima existência que pode não salvar, mas tornam qualquer vida mais digna, considerar qualquer existência.
Talvez "não precisamos" calcular o universo, medir a distancia entre as estrelas, entender silogismos alheios, lutar para mostrar quem entende mais ou pendurar certificados e diplomas em paredes.

Lutemos por algo que seja dos bom combatentes, que sobre os oceanos fragatas trafeguem, que os céus sejam cobertos por asas, que o solo seja marcado por marchas, mas lutemos por uma vida mais sensível, uma liberdade sensível, onde notemos que a tristeza e a felicidade ficam lado a lado, coexistem e são assim a forma do viver e amar essa vida. Nos tornamos tão próximos com a internet, com os comunicadores, com a telefonia e nos tornamos mais frios. Acredito que não se trata de novas formas de se comunicar, viver, existir, construir e comunicar devires. Não! Se for isso, parem esse mundo, parem que eu não tenho um minimo desejo de continuar aqui, onde as vidas, as espécies não podem se comunicar e muito menos compartilharem o mesmo planeta, a mesma natureza e a mesma consciência. Nos tornamos irascíveis, coléricos por motivos estúpidos, nos deixamos sofrer, adoecer e enfurecer por preocupações que no fundo não farão (e sabemos que jamais irão fazer) uma diferença epidérmica ou profunda em nossas vidas. Eu não posso mais ficar parado e notar as cores trevosas dos muitos olhares sobre muitas coisas do mundo. Não me importo se tudo é indiferente, mas eu quero acreditar que no fundo, no fundo em algum canto de cara vida, de cada ser humano existem uma vontade de não ser indiferente, de sentir as dores morais. Quero acreditar nisso, quero ter acertado ao entender o significado de que o homem é a imagem e semelhança de Deus. Que os reinos divinos habitam dentro de nossos amores, paixões, emoções e sentimentos. Que nunca seja preciso orar ou implorar por piedade, ser patético diante dos outros e que revolucionemos nossa mente, emoções e sentimentos. As revoluções politicas e sociais falharam pois nunca conseguimos revolucionar a mais difícil das sociedades, a mais complexa das politicas e o mais extenso dos universos... A nós mesmos...

No fundo eu sei que não, mas vou acreditar até a morte, com todas as minhas forças e nem que isso custe a minha vida, que vamos raiar novos dias, vamos ter asas e voar acima das nuvens, além da atmosfera e não ficaremos sem folego, não teremos cansaço e a liberdade será sempre desejada. Será o mundo dos sonhos, dos deuses, um reino único onde ainda haverá dor, mas essa será melhor pensada, haverá sofrimento, mas essa será mais evitada, haverá uma nova forma de existir com o universo, com o planeta, com homens, com os animais, com as plantas...
Pensaremos sensivelmente toda a vida e todos os seres. Tudo o que pode enxergar o Sol, tudo que está dentro e fora de cada um, essa mesma energia que faz o Sol queimar, as galáxias colidirem, as células multiplicarem e os sons propagarem...

Único e nas capacidades do múltiplo...

Poderíamos sumir e abraçar o espaço, o tempo e a tudo. Enfim a serenidade, o silêncio eloquente e o som originário do universo.

sábado, 22 de outubro de 2011

Filho Prodigo



Quando vieram de seus terras gélidas.
Todos alinhados, com estandartes e vísceras à mostra.
Marcharam de forma canhestra, carregam as bandeiras de vil legião.
Antepassados, ancestrais de mão firme, face alva e carne gelada
Esculpiam disformes e com um tremor, uma ânsia tão grande
Um receio e uma severa vontade de controle
Desejos que são mais fortes que uma fibra de carvalho
Dignos de forjarem um féretro de aço
De mil toneladas e com alças de ouro

De teu desejo jovem e quando faz relato impressionista
Confunde as cores e quando participa do cortejo do intelecto
Feito por milhares dos primatas, símios de fim de escala
Graduações cismáticas e simbólicas dos falsos títulos
Já não sou mais tão confuso
Mas teu verbo ainda consegue me fazer estremecer

Do peso, da cobrança que me faço
Volto a escrever na ociosidade da criatividade
Coço meu dorso e escrevo do regaço
Tossir, cuspir e expelir esse meu filho
E copiosamente copio em tamanha experimentação

Conjurei as almas, os já amortalhados escritores
Rimbaud, Verlaine, Baudelaire e Rilke
Neles eu despejei, os banhei de minha sede pelas escrituras
Temi que minha morte chegasse sem o retorno da vontade poética
E vi que de minha dor, irritação ou aflição
Estardalhaço, contentamento, sorriso e paixão
Continha o segredo, o tiro certeiro
De onde eu mais consigo fazer justificar minha mão

Daquelas alma invocadas, esperei pelas visitas durante a noite
Enxergar as finadas silhuetas e esperar pela inspiração
Por aquele desejo que me indica um destino
Na soleira da porta da sala aquele garoto
As tentações do amigo do garoto, o qual eu nunca vi
E sentado ao pé de minha cama eu vi aquele senhor
Carcaça no colo e adorador da 1 hora da manhã
Em pé ao meu lado, olhando me escrever, aquele homem
Cuja a passagem por Paris tentou fazer merecer
E sobre a minha coroa de xelins e de sonolenta areia
Eu vejo todos os espíritos
As tropas flamejantes dos indianos, dos persas, dos gregos
Frances, alemães e daqueles que por mim passaram
Tento por não ser filho da mendicidade das letras
Muito menos, escravo e mediocremente escritor

Os sussurros não ouvia
Absorto noutro mundo
Pobre diabo, se contia
Troco caricias com a noite
Lascívias sensações com a madrugada
Flertes com as musas e prazerosa reação
Junto de Nix e sua interminável escuridão
E quando rezavam Ave Maria, falava diretamente com Deus
Deitava no travesseiro com a resistência dos deuses
E acreditava que tudo se resolvia com as preces
Hoje, com uma feliz tristeza
Percebe que tudo também se resolve sem elas

Oh temor das insalubridades,
Gosto do lamaçal
Dragões cuspindo fogo e ardendo com as chamas de Marte
Vinde meus amigos, amores de outras vidas
E digam-me de onde consigo tamanha resistência e também
ter o tamanho medo dos rejeitados.
Filhos bastardos, abandonados por genitores
Cristalinas vontades que eu não percebi
Pois meu olhos se faziam esguios para nada ver.
Era uma preservação egoísta e tola
Onde deixei alguns prazeres
Serpentes calamitosas tentando escrever com suas pequenas patas
E duvidosas de onde as pousar assim que terminar

As Flores do Mal
A Temporada no Inferno
Os anjos que adornam a noite
As gárgulas da vigília
Vem ao meu encontro
E tentam a
 todo custo, minhas pálpebras pregar
Como um Cristo dos sonolentos e dos cansados
E ah, em gozo com o retorno desse vicio
Volto de outras formas, com palmilhas esfoladas
Despido e sem todas as joias
Pobre e rejuvenescido
De uma taça de esperança
A boca aberta para os nacos de qualquer coisa
Engasgam de luz
Sentam-se todos surpresos
E julgam aqui, que esse autor é fraco
Quando no minimo é tão forte quanto
Um tolo e contraditório trapo
Metáfora de Atlas e carruagem de Apolo
Volto como o filho prodigo a escrever
A mais consoante nota de uma escala

De negra alvorada
De sono de lavanda
E desejo escarlate
Aceito, agradeço e entrego-me
Ao mundo e a meu destino
Mas não como um veleiro sem comandante
Pois como eu haveria de ficar em terra,
Quando tenho duas enormes asas
Que ansiavam para novamente rasgar minhas vestes
E junto de Ícaro ou Hermes
Caminhar nas ardentes nuvens
Beijar o Sol e cozinhar as antes secas e encruadas bocas
Escreverei sempre e onde eu bem entender
E por quantas vezes eu desejar voltar
E se assim for 
possível
Criar um sabor doce nas inconstâncias
E adocicar o corpo com uma delicia autentica
Que é apreciar as diferenças
Pois semelhanças sempre enxergam os míopes
E aqueles de vistas fracas
A grandiosidade das diferenças, das incompatibilidades
Quando percebida e bem reconhecida
Fixa a vertigem de outrora
E cria vertigens novas
Inicia novos mundos
Novos contatos

Fiz de um espirito ocioso e inconstante
Das incongruências de minha alma
Meu próprio e maior amante
Amo essa própria vida
E traquejo diante do lago
Narciso do cuidado

Por agora, encerro o relato de meu estado
De meu sono, de meu céu e do meu inferno
Por três noites pensei
E só em uma madrugada expurguei
Já deito no meu colo
Uma grande beleza
E por um breve segundo temo o retorno
De alguma triste realeza
Mas que seja, se assim eu sou
Digo como encerram algumas preces
Amém

E assim...
Cumprimento o teu Deus, com o Deus que habita em mim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Adeus


Se cada lágrima, cada nova manhã que eu acordo em aflição e angústia, cada minuto de tristeza que eu passo, cada respiração que eu acabo tossindo... Se isso, e acredito no que irei escrever agora, forem formas também de sorrir, de ser alegre e feliz por um momento, de ouvir uma música e encontrar-se nela, de escutar o sapatear de uma criança e sorrir, de ver um pássaro aprender a voar e compreender toda aquela paciência. Se ao compreender que para ter um segundo de felicidade, um momento de alegria, um dia de serenidade, esses estados de alma tão perenes e rápidos, seja preciso que eu tenha uma hora de tristeza, uma manhã de pranto ou uma conversa com o desabafo de um amigo, então que eu seja aflito e triste, pois só assim, quando a felicidade vier ao meu encontro, eu conseguirei abraça-la com toda a minha força e meu desejo. Naquele momento o melhor é conseguir ser expressionista e notar o som ardiloso do gotejar sobre uma pequena porção de água, ver de quantas formas é possível passear com a mão sobre uma parede ou tentar entender o conforto que existe quando vamos na casa de algumas pessoas.

Se tudo isso for também uma forma de presenciar a vida em uma das suas possíveis totalidades, se isso não for uma simples barganha que eu criei. Talvez por isso Rilke, Kafka, Rimbaud, Osho, Cioran, Verlaine, Byron, Bukowski, Corey Taylor (Sim, porque não?), Lawrence, Jung, Camus, Nietzsche e tantos outros que nunca ouvimos falar o nome possuíam, possuem e escrevem bem  agora, em algum canto do mundo obras tão belas, pois eles carregavam e carregam suas vidas ao limite, criavam obras de arte daquilo que parecia improvável e pouco óbvio, pois quando sente-se mal, a primeira coisa a ser feita é extirpar um sentimento ruim e tudo aquilo que é removido de forma abrupta deixa alguns nacos lá de onde foi retirado.

E se você acredita que eu quero parecer um coitado, se eu quero a piedade de alguns, saibam que sinto-me bem. Meus bolsos estão abarrotados das minhas tristezas e das tristezas daqueles que eu já fui em socorro, que eu já tive de usar palavras para um certo momento, o que me cabe agora é tentar o mais difícil, é usar comigo muito do que eu falei para ser feito. Essas formas antinômicas de existir, essas dualidades existenciais que sempre se busca evitar, uma psicologia de fundo de quintal que busca separar a razão do sentimento sendo que ambos são entrelaçados ao limite.
Quanto menos você se permite sentir aquilo que você pode sentir, mais sufocado e amortalhado o corpo se torna...
Mas eu sempre fiquei contente em saber que alguém precisava ouvir algo do que tenho a dizer, que queria ouvir dos meus sonoros suspiros.

As passagens, as mudanças, os encontros e as intensidades que muitos buscam, as despedidas alegres, tão difíceis de serem conseguidas essa é a chave da existência, de tentar uma vida serena. De não esperar que o lado de fora seja a peça chave da própria vida. Sim, sintam o vento, os relevos das calçadas, a chuva repicar no corpo, uma lágrima escorrer do rosto, esperar nada do mundo, o latido de um cão, as batidas de um coração, a lentidão do amanhecer e a velocidade que passa o dia, de chorar ate o limite como se houvesse um oceano, de amar em varias formas, de sentir uma fúria dentro do corpo, de orar impiedosamente, de crer no Deus que você mais precisar, de fazer bem a quem for, de não deixar que as suas tristezas ou seus rancores sejam descarregados em outra pessoa. Isso tudo é viver, É VIDA. Sim, das mais profundas tristezas as mais explosivas alegrias.

Que essa seja minha última postagem. Que seja para sempre, pois sempre acreditei que uma partida deve ser assim, sem volta, para sempre. Mas caso eu retorne, não fiquem espantados ou pensem que sou feito de contradições, tudo está emaranhado demais nesse universo para conseguir ser no mínimo contraditório. Não pensem que eu traço linhas totalmente retas, aqui eu fixava minhas vertigens, tentava anotar o inexprimível, escrevia minhas noites e os meus silêncios. Proferia minhas paixões, compartilhava meus sorrisos, retribuía os bons pensamentos matinais e as angústias do cotidiano. Relatava daquelas pessoas que entravam na minha vida e dos passeios, caminhadas que eu tinha com cada uma delas. Quando for possível notar que é a hora do partir e assim sentir uma forma de liberdade, nesse momento, será possível dizer que o corpo e a alma estão livres e que podem caminhar para onde for e onde houver vontade. Sendo do universo, ser o Alfa e o Ômega.... Me liberto do blog, mas não dos pensamentos e das palavras.

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso."

Somos isso, tudo isso.


Adeus






terça-feira, 4 de outubro de 2011

Antes dos sonhos


Na próxima esquina eu vou tentar encontrar algum autor pra citar. Parecer inteligente e ser o novo salvador do mundo. Mas no fim, só queria me desfazer de todos os livros que eu tenho e troca-los por uma simples serenidade e por belas palavras para acompanhar uma boa noite de sono.

Meus desejos são tão piegas e tão profundos quanto os desejos de qualquer um, a diferença é que desenvolvi a doença de rebuscar tudo que é falado. Escapei (?)  de que é possível dar algum sentido a existência por meio de texto em Arial 12 e espaçamento 1,5? No fundo, todo mundo sabe que a importância de uma filosofia é a mesma que a escolha de colocar cobertura ou não em uma taça de sorvete. Que a diferença entre um cachaceiro e Heidegger é minima. Ou como disse o cantor Falcão :

"Não sei se foi o Voltaire, ou foi um bodegueiro que disse"


Quanto mais você abre livros, pensa em especializações, tentar encontrar respostas para coisas que no fundo sabemos ser insondáveis, construir modelos educacionais, administrativos, políticos, sociais, culturais, identitários e tantos outros conceitos tão absurdos ou "irreais" quanto se pensar a metafisica ou se deus é destro ou canhoto, você se dá conta de que os outros se encontram afastados, longínquos e tentar lhe alcançar. Não existe ponte, corda ou passagem para que todos cheguem ao teu encontro. Nesse caso, cada um fica nos deleites da criação das barganhas, ou seja, não passamos de criadores baratos de barganhas.




domingo, 2 de outubro de 2011

Amém


      Missões malfadam. No seios das nobres alianças e quartos trevosos. Você vem ao meu encontro e me diz contos escabrosos, diz-me de gentalha medíocre, tão covarde e pobre de caráter e espirito quanto a ti, a quem chamam viciado. Dou me conta agora, que também espero minha catarse, em visões diferentes. Meu corpo, físico cessa e fica espatifado, migalhas que tenho de juntar enganando a outrem e também a mim...

     Teu demônio e teu deus habitam a mesma cela. Ambos tateiam paredes em torrentes de luz. Regozijo de ira, noções verbosas a quem chamaram de verdades. Quanto é de incomodo e de meu espanto ao ouvir isso sobre mim. Aqui, isolado, os sons plásticos ao fundo, mascaras cobrindo bocas, cobrindo a minha boca. Tentam respirar e mastigam as fibras que são engolidas em um movimento único e também sufocante.

     A ira, as vinhas odiosas eu nunca lhe apresento, pois sei que lhe faria temer e assustaria o mais devoto dos prantos ensurdecedores e aterrorizados. Digo isso e ainda tentaria explicar para quem, cada trecho seria. Controle insentido de significados. Onde eu pertenço? Este mundo? Ao mundo dos vermes? Ao mundo dos ditos animais? Ao mundo dos canalhas? Ao mundo que caminham os espíritos? Oh doce e melancólico sabor da ilusão e da breve solidão. Caminhem das montanhas. Venham ao meu encontro e no meu ultimo suspiro, naquele estertor da morte, digam ou me façam acreditar que minha vida valeu a pena, que tenha sido um pouco poeta, escritor, crédulo, cético, vilão, vitima... Todo alguém e que seja parte do mundo e uma certeza da centelha do universo.

     Que assim seja.