Páginas

domingo, 4 de novembro de 2012

Não consegui
gestar filhos da eternidade.
Abortei à todos.
Tumultuei meu túmulo
onde jamais irá jazer um só,
mas sim. milhares de vidas,
vidas minhas e dos natimortos.
Peles do meu corpo
De um espirito que já não goza,
mas hoje só esvai por meu corpo nu
sem pele, sem vida
e só com minha rubra carne
que implora por escapar
e clama de hediondas formas.
Assume teu rumo,
cria as formas que lhe são possíveis.
Transubstancia tuas energias
e tuas forças
Faz do mundo o teu mundo
por teus milhares de mundos

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Eu sou,
O que sou.
Mas nem em milhares de pedaços,
Eu conseguiria mostrar
Os tantos que existem em mim.

A vida
Arranhada e amarrotada
Já não cabe
em minha vida.

Preciso fazer
tantas outras
Por tantos meios
Por tantas vidas

Para sentir-se vivo
E o que há de vivo

sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre ontem


Antes parecia haver algo de poesia, a agonia pertencia ao préstito dos homens e ao banquete dos demônios.
Vazio como a casa pegando fogo, como uma casca da fortaleza do oco. O que há de vivo é a minha tolice que sai por um rubor da face esquerda. Há sangue que não corre e muito menos escorre.
Quais proveitos faço do despotismo da felicidade? Inclusive a felicidade autoritária é infeliz.
Se quando venho do silencio, do que perturba, de uma dor e da vontade imediata de inexistência que como um ardiloso veneno e que escancara o ventre de uma desejosa solidão a qual parece ser mais possível de meu deleite. Mas só há eu em meu pensamento, já que não existem operações suficientes para fugir da solidão da alma.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

(M)Eu falo de mim


Falo
Pelo falo
Pelos pelos
Pelos ouvidos
Pelos apelos
Pelos afetos
Pelos humores
Pelos odores
Pelo tato
Falo, digo, falo
Pelas paixões
Pelas línguas
Por tantos e de tantos eu's eu falo
Eu falo de mim
Mim é verbo
Pois onde se fez o verbo
Há, eu, deuses e universos.

Devir

Devir

Há um devir em mim,
E agora não há mais.
Pois só, talvez o sei,
Quando o coração de outrem
Bateu dentro do meu eu.

Experimentações.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Agora no agora


Agora já não tenho sono
Agora já não tenho fome
Pra fingir ser poeta, me abandono
Já prefiro não ter nome

O minuto passa
O relogio come
Um olho é sono
O outro neurose

Um lado é derrame
O outro é cópia
A letra é fala
O peito é aperto

Que bate para o corpo
E quando ve o que envolve
Cai implorando "por todo sangue
que pulsei, devolve."