De todas as máscaras que temos
Se assim as reconhecemos
Quando colega, juiz, padre
Amante, parente ou amigo
Vem nelas tentar escarrar
É formidavelmente triste
E ardilosamente cruel
Saber qual delas a próxima usar
Assim não sucumbimos quando um outro
Vem a cada um de nós desmascarar
Se nossos personagens por tempos
Já vem aterrorizar
Narciso não jaz por ser belo
Mas por ter conhecido
Aquilo que nem sabia ter concebido
E pensar que o teatro grego acabou quando o último soldado persa naquela região marchou
segunda-feira, 18 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Poderei gritar em teus ouvidos, vociferar as mais lacerantes palavras e negar-te-ei pensamentos para te criar a paz.
Pois quero negar isso a minha pessoa também. Quero que vejam as vilosidades, o quão viscoso é esse real.
Dilacerem teus inimigos que lhe parecem tão amigos. Arrebente a cada um deles. Retalhe as representações.
Não enxerga as cores, não tateia superfícies, não sente de fato os amores, nunca se dá conta de quais paixões e vetores te atravessam.
Não irei ser um fantasma que assombra buscando deitar a cada um sob o dossel de uma serena claridade da noite.
Jamais.
Farei isso talvez por não conseguir realizar comigo. Não te farei de baluarte, pois se irá ser uma fortaleza para mim é por que eu sei onde estão as tuas fendas, tuas fossas abissais e que talvez eu conheça os abismos que estão dentro dessa edificação.
Como não refletir ou projetar? Todos os reflexos de nossa face são débeis diante das superfícies do mundo.
Eu sou o que eu nem mesmo sei que sou.
Cada um de vocês que crie o Lucas que lhe cabe. Que deixe a vocês felizes. Mas não esperem júbilos de companhia. Não sou santo, divindade ou robô.Só humano, demasiadamente humano.
Ver os teus abismos, suas alegrias, tuas aflições, teus sorrisos, suas lagrimas, tuas angustias, sua solidão, o prazer da tua companhia. Quero esse tua nervura do real. Saber que estamos sentido a vida em todas as suas possíveis intensidades. Sem medo (e inclusive sentir o medo) de vive-la. Pois essa vida é uma companheira tão veloz, inexperiente e serena. Que simplesmente passa, passa e passa. Mas que volta em pássaro, em vento, em ar, em vida, em oceanos, em sibilos asmáticos, em uma esmola, em um naco de pão, solidões, tristezas...
Talvez esse mundo seja grande demais para ser desperdiçado em um simples texto.
Quero sentir a tudo passar
Para sentir novamente
Retornar
E ter conhecido a tudo, até onde o meu tudo foi possível
Pois quero negar isso a minha pessoa também. Quero que vejam as vilosidades, o quão viscoso é esse real.
Dilacerem teus inimigos que lhe parecem tão amigos. Arrebente a cada um deles. Retalhe as representações.
Não enxerga as cores, não tateia superfícies, não sente de fato os amores, nunca se dá conta de quais paixões e vetores te atravessam.
Não irei ser um fantasma que assombra buscando deitar a cada um sob o dossel de uma serena claridade da noite.
Jamais.
Farei isso talvez por não conseguir realizar comigo. Não te farei de baluarte, pois se irá ser uma fortaleza para mim é por que eu sei onde estão as tuas fendas, tuas fossas abissais e que talvez eu conheça os abismos que estão dentro dessa edificação.
Como não refletir ou projetar? Todos os reflexos de nossa face são débeis diante das superfícies do mundo.
Eu sou o que eu nem mesmo sei que sou.
Cada um de vocês que crie o Lucas que lhe cabe. Que deixe a vocês felizes. Mas não esperem júbilos de companhia. Não sou santo, divindade ou robô.Só humano, demasiadamente humano.
Ver os teus abismos, suas alegrias, tuas aflições, teus sorrisos, suas lagrimas, tuas angustias, sua solidão, o prazer da tua companhia. Quero esse tua nervura do real. Saber que estamos sentido a vida em todas as suas possíveis intensidades. Sem medo (e inclusive sentir o medo) de vive-la. Pois essa vida é uma companheira tão veloz, inexperiente e serena. Que simplesmente passa, passa e passa. Mas que volta em pássaro, em vento, em ar, em vida, em oceanos, em sibilos asmáticos, em uma esmola, em um naco de pão, solidões, tristezas...
Talvez esse mundo seja grande demais para ser desperdiçado em um simples texto.
Quero sentir a tudo passar
Para sentir novamente
Retornar
E ter conhecido a tudo, até onde o meu tudo foi possível
terça-feira, 5 de julho de 2011
Falando sobre amores
O animal é uma proximidade insuportável. Mas de que forma?
A(ni)m(al)or
Ele encara você de igual para igual. ele desvia o olhar, mas não por fraquejar diante das nossas pupilas, mas para ele não faz sentido encarar, é desnecessário, é uma pesada necessidade de querer provar algo para si. Uma vontade de catalisar as ansiedades, angustias, as ausências e aquilo que sentimos e não sabemos o motivo de sentir. E talvez por isso sejam coisas incomodas. O animal não é puro ou santo, longe disso. Ele tem parte de uma centelha do universo, tal como eu e você. Somos tão animais quanto os animais.
Ele é rebelde e por isso também insuportável. Aquele (mas qual?) animal, não tem a necessidade de ler um poema, graduar-se em uma universidade, amar ou sentir-se amado, publicar em um blog, ficar desesperado por um exame da faculdade ou estar aflito por se deparar com um problema e pensar que não existe solução. Ele não se precipita. Não procura abismos para dançar na beirada.
Ouvir os batimentos cardíacos de outro ser não humano é sempre imensurável. Tentem isso quando possível. O cão, o gato, ou o pássaro tem um coração e ouvir ele pulsar e sentir-se naquele momento um animal ainda mais animal é uma sensação única. Nunca poderá ser repetida. Você acaba se tornando animal e o animal humano. Ali acaba ocorrendo vivacidade. Aquela chama supostamente débil da existência, que possui uma sombra vacilante cria um estopim e deflagra-se com um estrepito e tudo fica cheio de calor. Luzes e sombras misturam-se em uma pintura gratificante e exuberante. Ali houve amorosidade. Essa é uma liberdade de amar que faz parte daquilo que supostamente não é humano, nem poeta, músico ou filósofo. É uma qualidade incômoda.
Mas existem amores
Naquele momento houve tanto amor, como uma brisa fresca que entra em um quarto e faz dançar de forma graciosa aquelas belas cortinas brancas próximas a porta da varanda. É uma brisa que refresca os lábios, todos os tecidos, a carne, a alma, o espirito e o que mais for possível explicar. É passageiro mas deve ser sentido nas suas maiores formas. O duro é se dar conta que esse amor vai embora. Mas ele vai embora não carregado de tristezas ou que ele deixa um fardo de desespero ou de angustias quando se despede saindo pela mesma janela cortinada. É alegria da passagem e da mudança. As posição das cortinas e aqueles que estavam naquele quarto nunca mais serão os mesmos após aquele suspirar, aquele hálito tão gracioso que é um tão belo aspecto disso que chamamos de universo. É muito difícil viver dos momentos, encarar aqueles pedaços de eternidade sem desejar mais para depois. Cada momento deveria ser encarado como único, sem uma projeção do que irá acontecer depois. Mas ao mesmo tempo tentar pensar que outras intensidades tão maravilhosas como aquelas ainda poderão vir a ocorrer. Intensidade essas que podem ser de outras paragens, relvas, manhãs, pessoas, cidades, praças, moléculas, átomos, cores, sons, imagens, texturas...
Sinto minhas palavras cessarem...
Transfigurado deleito minhas paixões nesse texto e levo cada letra, cada caractere, cada estimulo virtual e elétrico ao olhos de quem é o leitor. Se foi possível sentir algo ao ler tudo aqui, há de ter algum sentido em extrapolar o pensar e ir para o sentir. Sinto em meu corpo e tento transferir. Todas as sensações que pairam ao redor do leitor aproximam-se e colam em sua atmosfera corporal ao ter contato com todas essas palavras...
Sinto agora todos os corações e também todas as suas pulsantes e latejantes liberdades...
Amando a todos os seres humanos, seres vegetais, seres animais, seres humanos-animais. Amando o universo...
Talvez sempre há uma (in)feliz necessidade de voltar e voltar para aquilo que supostamente da prazer, um eterno e lacerante retorno, aquele amor fisiológico, hormonal, biológico e tão superficial. E essa é também outra forma de amor.
É amor.
Porém, o que talvez acontece em minha pessoa talvez seja um amor como uma flor, frágil mas enraizada, que dança sob o Sol e se molha com a chuva, espalha perfumes e partículas ao vento. Nisso vem a noite e essa flor adormece, saboreia um sono calmo e também confuso e não posso fazer nada para impedir o seu descanso. Mas sempre vem o dia seguinte e tal flor, seja ela uma rosa, um lírio, crisântemo ou papoula e a sua vida recomeça. Esse amor fica ávido pelo Sol e caso tivesse olhos suas pálpebras estariam aquecidas ao mesmo tempo que a fina claridade iriar penetrar amealhante não buscando cegar.
Retirar da terra esse amor é separa-lo da sua fonte de vida. Mas ao mesmo tempo ficar ali enraizado, suportando as intempéries do mundo, é tornar ele mais vigoroso e robusto. É uma flor no meio da relva que espera ser agraciada por olhos astutos e pelos narizes curiosos que estão em busca de trilhar um caminho e que, quando a encontram percebem que ali sempre passa vida. Ambos talvez saem engrandecidos. Seja por conhecer uma nova fragrância ou por conhecer um novo transeunte.
E tal como o vento passa
Passa uma vez
Passa outra
A(ni)m(al)or
Ele encara você de igual para igual. ele desvia o olhar, mas não por fraquejar diante das nossas pupilas, mas para ele não faz sentido encarar, é desnecessário, é uma pesada necessidade de querer provar algo para si. Uma vontade de catalisar as ansiedades, angustias, as ausências e aquilo que sentimos e não sabemos o motivo de sentir. E talvez por isso sejam coisas incomodas. O animal não é puro ou santo, longe disso. Ele tem parte de uma centelha do universo, tal como eu e você. Somos tão animais quanto os animais.
Ele é rebelde e por isso também insuportável. Aquele (mas qual?) animal, não tem a necessidade de ler um poema, graduar-se em uma universidade, amar ou sentir-se amado, publicar em um blog, ficar desesperado por um exame da faculdade ou estar aflito por se deparar com um problema e pensar que não existe solução. Ele não se precipita. Não procura abismos para dançar na beirada.
Ouvir os batimentos cardíacos de outro ser não humano é sempre imensurável. Tentem isso quando possível. O cão, o gato, ou o pássaro tem um coração e ouvir ele pulsar e sentir-se naquele momento um animal ainda mais animal é uma sensação única. Nunca poderá ser repetida. Você acaba se tornando animal e o animal humano. Ali acaba ocorrendo vivacidade. Aquela chama supostamente débil da existência, que possui uma sombra vacilante cria um estopim e deflagra-se com um estrepito e tudo fica cheio de calor. Luzes e sombras misturam-se em uma pintura gratificante e exuberante. Ali houve amorosidade. Essa é uma liberdade de amar que faz parte daquilo que supostamente não é humano, nem poeta, músico ou filósofo. É uma qualidade incômoda.
Mas existem amores
Naquele momento houve tanto amor, como uma brisa fresca que entra em um quarto e faz dançar de forma graciosa aquelas belas cortinas brancas próximas a porta da varanda. É uma brisa que refresca os lábios, todos os tecidos, a carne, a alma, o espirito e o que mais for possível explicar. É passageiro mas deve ser sentido nas suas maiores formas. O duro é se dar conta que esse amor vai embora. Mas ele vai embora não carregado de tristezas ou que ele deixa um fardo de desespero ou de angustias quando se despede saindo pela mesma janela cortinada. É alegria da passagem e da mudança. As posição das cortinas e aqueles que estavam naquele quarto nunca mais serão os mesmos após aquele suspirar, aquele hálito tão gracioso que é um tão belo aspecto disso que chamamos de universo. É muito difícil viver dos momentos, encarar aqueles pedaços de eternidade sem desejar mais para depois. Cada momento deveria ser encarado como único, sem uma projeção do que irá acontecer depois. Mas ao mesmo tempo tentar pensar que outras intensidades tão maravilhosas como aquelas ainda poderão vir a ocorrer. Intensidade essas que podem ser de outras paragens, relvas, manhãs, pessoas, cidades, praças, moléculas, átomos, cores, sons, imagens, texturas...
Sinto minhas palavras cessarem...
Transfigurado deleito minhas paixões nesse texto e levo cada letra, cada caractere, cada estimulo virtual e elétrico ao olhos de quem é o leitor. Se foi possível sentir algo ao ler tudo aqui, há de ter algum sentido em extrapolar o pensar e ir para o sentir. Sinto em meu corpo e tento transferir. Todas as sensações que pairam ao redor do leitor aproximam-se e colam em sua atmosfera corporal ao ter contato com todas essas palavras...
Sinto agora todos os corações e também todas as suas pulsantes e latejantes liberdades...
Amando a todos os seres humanos, seres vegetais, seres animais, seres humanos-animais. Amando o universo...
Talvez sempre há uma (in)feliz necessidade de voltar e voltar para aquilo que supostamente da prazer, um eterno e lacerante retorno, aquele amor fisiológico, hormonal, biológico e tão superficial. E essa é também outra forma de amor.
É amor.
Porém, o que talvez acontece em minha pessoa talvez seja um amor como uma flor, frágil mas enraizada, que dança sob o Sol e se molha com a chuva, espalha perfumes e partículas ao vento. Nisso vem a noite e essa flor adormece, saboreia um sono calmo e também confuso e não posso fazer nada para impedir o seu descanso. Mas sempre vem o dia seguinte e tal flor, seja ela uma rosa, um lírio, crisântemo ou papoula e a sua vida recomeça. Esse amor fica ávido pelo Sol e caso tivesse olhos suas pálpebras estariam aquecidas ao mesmo tempo que a fina claridade iriar penetrar amealhante não buscando cegar.
Retirar da terra esse amor é separa-lo da sua fonte de vida. Mas ao mesmo tempo ficar ali enraizado, suportando as intempéries do mundo, é tornar ele mais vigoroso e robusto. É uma flor no meio da relva que espera ser agraciada por olhos astutos e pelos narizes curiosos que estão em busca de trilhar um caminho e que, quando a encontram percebem que ali sempre passa vida. Ambos talvez saem engrandecidos. Seja por conhecer uma nova fragrância ou por conhecer um novo transeunte.
E tal como o vento passa
Passa uma vez
Passa outra
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Há textos, audições, gostos e intensidade que nos atravessam todos os dias e não nos damos conta delas até que por um lapso, uma epifania ou então o momento certo de ter um encontro nos sejam devidamente apresentadas.
Certas palavras libertam, certas conversas dão uma trilha de liberdade, certos textos são atemporais.
Não cabem em contexto algum.
Sendo assim, cito um trecho muito significativo de Nietzsche, não costumo fazer isso no meu blog, mas porque não ser um andarilho das próprias palavras, do próprio blog, das pessoas com quem ja convivemos ou até de si mesmo? A liberdade não deve, mas pode acabar sendo prisão, não permitam que isso aconteça...
Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem.
Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar.
Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão e o dia será quase pior do que a noite. Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã.
638 - Humano Demasiado Humano
Não cabem em contexto algum.
Sendo assim, cito um trecho muito significativo de Nietzsche, não costumo fazer isso no meu blog, mas porque não ser um andarilho das próprias palavras, do próprio blog, das pessoas com quem ja convivemos ou até de si mesmo? A liberdade não deve, mas pode acabar sendo prisão, não permitam que isso aconteça...
Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem.
Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar.
Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão e o dia será quase pior do que a noite. Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã.
638 - Humano Demasiado Humano
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Para _________
Dessa agora serenidade
Após ouvir agruras
Outros em escafandros
Tanto oceano sobre poucas cabeças
Insensatez que fala o límpido
Da fala sã e cheia de transgressões
Não existem platôs ou planícies que possam trilhar
Pois no mundo já cambaleiam perfis cadavéricos, sinapses incomunicáveis
Dádivas irremediáveis que não a um único ser disposto a receber
E sopra, umedece e por mais estranho aquece
Quando se retira algo cria-se um espaço
Preenche-o com ar, água ou poesia
Como o vento passa
E agora não incomoda
Não há turbilhão e nem enseada borbulhante
E amanhã ao fitar o céu concretado de branco
Talvez venha lástima
Mas passa
Como o vento
Como um viajante
Aquele dito homem errante
Carrega no bolso as próprias mãos
As faces latejantes de frio
Agora o rosto desfigurado e com dois lados
Isso também passa?
Ah esses cosmos
Delicados universos
Tão belos em serem lapidados
Tão árduos em serem vivenciados
Aqui estou do lado
Aqui posso estar perto
Aqui pode ser ali
Aqui já pode ter sido aqui
Aqui já não é o que era antes
Empalideço diante do reflexo
Não jaz como Narciso
Euterpe ao abraçar Erato
E espanto-me com a rápida peripécia de Hermes
Que tão logo vira órbita de Apolo
O que fazem tantos povos nos arredores da Grécia e nas ruínas de Cartago?
Adejam todos esses sonhos?
Ou abrolham desejos desvanecidos?
Sou um rebento, um filho
De uma tradição para alguns anosa
Sinto vigor e contumácia opaca
Sinto passar
Como vento
Como trecho de caminhada
Com folguedo escrevo
E jovial deixo agora outra página de minha vida
Veloz existência
Após ouvir agruras
Outros em escafandros
Tanto oceano sobre poucas cabeças
Insensatez que fala o límpido
Da fala sã e cheia de transgressões
Não existem platôs ou planícies que possam trilhar
Pois no mundo já cambaleiam perfis cadavéricos, sinapses incomunicáveis
Dádivas irremediáveis que não a um único ser disposto a receber
E sopra, umedece e por mais estranho aquece
Quando se retira algo cria-se um espaço
Preenche-o com ar, água ou poesia
Como o vento passa
E agora não incomoda
Não há turbilhão e nem enseada borbulhante
E amanhã ao fitar o céu concretado de branco
Talvez venha lástima
Mas passa
Como o vento
Como um viajante
Aquele dito homem errante
Carrega no bolso as próprias mãos
As faces latejantes de frio
Agora o rosto desfigurado e com dois lados
Isso também passa?
Ah esses cosmos
Delicados universos
Tão belos em serem lapidados
Tão árduos em serem vivenciados
Aqui estou do lado
Aqui posso estar perto
Aqui pode ser ali
Aqui já pode ter sido aqui
Aqui já não é o que era antes
Empalideço diante do reflexo
Não jaz como Narciso
Euterpe ao abraçar Erato
E espanto-me com a rápida peripécia de Hermes
Que tão logo vira órbita de Apolo
O que fazem tantos povos nos arredores da Grécia e nas ruínas de Cartago?
Adejam todos esses sonhos?
Ou abrolham desejos desvanecidos?
Sou um rebento, um filho
De uma tradição para alguns anosa
Sinto vigor e contumácia opaca
Sinto passar
Como vento
Como trecho de caminhada
Com folguedo escrevo
E jovial deixo agora outra página de minha vida
Veloz existência
O nosso Maio de 1968 (sic) será feito com bocas seladas, mão atadas e faces apáticas.
São os minutos de silêncio mais eternos que os seres de nosso tempo puderam presenciar.
O prefixo pós nunca foi por ser do depois e sim por ser do póstumo.
Somos essas cadeias de carbono, peças atômicas autônomas e reações enzimáticas.
Não há perdição, não existem raízes e muito menos agregadores para nossas existências.
Visitantes
Andarilhos
Errantes
São os minutos de silêncio mais eternos que os seres de nosso tempo puderam presenciar.
O prefixo pós nunca foi por ser do depois e sim por ser do póstumo.
Somos essas cadeias de carbono, peças atômicas autônomas e reações enzimáticas.
Não há perdição, não existem raízes e muito menos agregadores para nossas existências.
Visitantes
Andarilhos
Errantes
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