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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Há textos, audições, gostos e intensidade que nos atravessam todos os dias e não nos damos conta delas até que por um lapso, uma epifania ou então o momento certo de ter um encontro nos sejam devidamente apresentadas.

Certas palavras libertam, certas conversas dão uma trilha de liberdade, certos textos são atemporais.
Não cabem em contexto algum.
Sendo assim, cito um trecho muito significativo de Nietzsche, não costumo fazer isso no meu blog, mas porque não ser um andarilho das próprias palavras, do próprio blog, das pessoas com quem ja convivemos ou até de si mesmo? A liberdade não deve, mas pode acabar sendo prisão, não permitam que isso aconteça...




Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a Terra e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem.

Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar.

Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão e o dia será quase pior do que a noite. Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã.


638 - Humano Demasiado Humano

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Para _________

Dessa agora serenidade
Após ouvir agruras
Outros em escafandros
Tanto oceano sobre poucas cabeças

Insensatez que fala o límpido
Da fala sã e cheia de transgressões
Não existem platôs ou planícies que possam trilhar
Pois no mundo já cambaleiam perfis cadavéricos, sinapses incomunicáveis
Dádivas irremediáveis que não a um único ser disposto a receber

E sopra, umedece e por mais estranho aquece
Quando se retira algo cria-se um espaço
Preenche-o com ar, água ou poesia
Como o vento passa

E agora não incomoda
Não há turbilhão e nem enseada borbulhante
E amanhã ao fitar o céu concretado de branco
Talvez venha lástima
Mas passa
Como o vento
Como um viajante
Aquele dito homem errante

Carrega no bolso as próprias mãos
As faces latejantes de frio
Agora o rosto desfigurado e com dois lados
Isso também passa?
Ah esses cosmos
Delicados universos
Tão belos em serem lapidados
Tão árduos em serem vivenciados

Aqui estou do lado
Aqui posso estar perto
Aqui pode ser ali
Aqui já pode ter sido aqui
Aqui já não é o que era antes

Empalideço diante do reflexo
Não jaz como Narciso
Euterpe ao abraçar Erato
E espanto-me com a rápida peripécia de Hermes
Que tão logo vira órbita de Apolo

O que fazem tantos povos nos arredores da Grécia e nas ruínas de Cartago?
Adejam todos esses sonhos?
Ou abrolham desejos desvanecidos?
Sou um rebento, um filho
De uma tradição para alguns anosa
Sinto vigor e contumácia opaca

Sinto passar
Como vento
Como trecho de caminhada
Com folguedo escrevo
E jovial deixo agora outra página de minha vida
Veloz existência
O nosso Maio de 1968 (sic) será feito com bocas seladas, mão atadas e faces apáticas.
São os minutos de silêncio mais eternos que os seres de nosso tempo puderam presenciar.
O prefixo pós nunca foi por ser do depois e sim por ser do póstumo.
Somos essas cadeias de carbono, peças atômicas autônomas e reações enzimáticas. 
Não há perdição, não existem raízes e muito menos agregadores para nossas existências.

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Errantes

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Não é por nada

mas tem vezes que eu penso que deveríamos agradecer à Edward Teller e Robert Oppenheimer.
Ambos só tornaram latente algo que sabemos ser inevitável.

Podem começar o bla bla.

Ou não.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Dia Em Que A Terra Parou

É um movimento que continua com Raul Seixas e Bad Religion.

Agora com
 Falcão:

- That was the day que a Terra parou.


Essa noite eu tive um sonho
de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
That was the day that the earth stalled.
That was the day the earth stalled.
That was the day the earth stalled.


Friction, bonds, and gravity, all harmonic motion ceased.
Life itself could not maintain from that singularity.
Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa

Try to withstand a magnetic storm with no one to keep you warm.
Waiting for the rest to fall, since the day that the earth stalled.
O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá
e o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar



The Day That The Earth Stalled
O Dia Em Que A Terra Parou


terça-feira, 21 de junho de 2011

Pois bem:

é possível acreditar que se possa ter um deus sem fazer uso dele?

(Rainer Maria Rilke)

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Space is illusion
Time is illusion
We are illusion
Only chaos is real
Only chaos is real
In the womb of the perfect night
Comes the dawning of the light
And the band begins to play
Dancing the dark away
Shadows in the cave
Ride the curl of the quantum wave
Surfing the interface
Of mind and time and space

Matter is illusion
Energy is illusion
We are illusion
Only chaos is real
Only chaos is real

And the music moves through the spheres
And the walls of the worlds grow ears
And down from the trees we come
To the beat of the talking drum
And the talking in our brain
Becomes a runaway train

Space is illusion
Time is illusion
We are illusion
Only chaos is real
Only chaos is real

To the garden of earthly delights
To the abyss of nuclear frights
To become Venus, to become Mars
To the void and to the stars
Shiva in world-breaking wrath
Buddha of the nine-fold path
For better and for worse
Masters of the universe
The only gods there be
Are schmucks like you and me
Whistling Dixie in the dark
So cruel, so cold, so stark

Only chaos is real
Only chaos is real
And the face on the bar-room floor
Was always there before
Was born with a great Big Bang
As the song that the atoms sang
From the cradle to the grave
In the foam of the quantum wave....
Matter is illusion
Energy is illusion
We are illusion
Only chaos is real
Only chaos is real

Only chaos is real
Only chaos is real

Only chaos is real
Only chaos is real

Only chaos is real
Only chaos is real


Heldon e Norman Spinrad