quarta-feira, 15 de junho de 2011
Conto do dia inteiro e não do meio-dia.
Aqueles três colegas sentaram-se inesperadamente na mesa do bar. Bebiam destilados e cerveja. Mais ainda, bebiam de suas tristezas, amarguras e da inseparável solidão. Buscavam afogar detalhes de suas vidas, paixões e amortecer a rigorosa existência. Chamaram para perto desconhecidos e blasfemaram todas as crenças, certezas e duvidas possíveis. Eram sátiros embriagados quando um deles disparou:
- Este acredita na vida, esse outro acredita no amor.
O crente da vida completou :
- Ele acredita na descrença.
Riram feito devotos, padres e juízes com a certeza de suas incertezas.
Despediram-se e deixaram latejar na hora da despedida palavras pouco afetuosas, mas que continham uma sinceridade inabalável e que no fundo todos os três sabiam que uma hora ou outra deveriam ser ditas.
Apreciaram aquela noite como se fosse a ultima e sabendo que poderia ser impossível de repeti-la. Uma repetição não somente em estado mas também em condições de convivência.
Voltaram para casa e com o sono sufocaram tudo o que havia acontecido.
Estavam supostamente revigorados.
- Este acredita na vida, esse outro acredita no amor.
O crente da vida completou :
- Ele acredita na descrença.
Riram feito devotos, padres e juízes com a certeza de suas incertezas.
Despediram-se e deixaram latejar na hora da despedida palavras pouco afetuosas, mas que continham uma sinceridade inabalável e que no fundo todos os três sabiam que uma hora ou outra deveriam ser ditas.
Apreciaram aquela noite como se fosse a ultima e sabendo que poderia ser impossível de repeti-la. Uma repetição não somente em estado mas também em condições de convivência.
Voltaram para casa e com o sono sufocaram tudo o que havia acontecido.
Estavam supostamente revigorados.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Prece colérica
Mas que direito tem você de falar da vida do outro?
E de eu falar por tu falar?
E de eu falar por tu falar?
Vermes mesquinhos e medíocres
Com necessidade de ouvidos
Dessas lacunas em universos sonoros
E de uma vontade regurgitante em contar
Estraçalhar e cuspir um desejo pútrido de mal dizer
Essas vastidões miseráveis escarradas por mal gosto
Quanto custa essa empatia?
Dar ouvidos então a vozes que agonizam param serem ditas
Dar ouvidos então a vozes que agonizam param serem ditas
Um laço que morre na quase degustação de certa carne
E na falta de admiração nos contidos e nos preocupados
Nos receosos e nos irmãos da precaução
Abre essa boca desgraçada por quais motivos?
És tão vazio e maldito que faz dejetos prolixos?
És tão vazio e maldito que faz dejetos prolixos?
Tão próximo quanto um inimigo
Espiões da intimidade e um carrasco companheiro
Que acaba agindo de forma clandestina e velada
Espiões da intimidade e um carrasco companheiro
Que acaba agindo de forma clandestina e velada
Um executor demoníaco que presta também a cavar um sepulcro
Acende velas em um ato dissimulado querendo prestar atenção
E enganar a intima ingenuidade
E enganar a intima ingenuidade
Pois bem, me diga agora meu senhor
D(d)eus criador e tão criatura
O que faz agora?
Não sejas vapor ou então vácuo
Não sejas vapor ou então vácuo
Destruídos e esganiçados
Arfando enquanto esticam os dedos atras da existência
Mãos abertas para a mendicância
O que trazem aqui essas bocas desgraçadamente falantes
Mas tão famintas que precisam comer dos próprios dentes
Mas tão famintas que precisam comer dos próprios dentes
E beber do próprio sumo, lamber o sangue egoísta
Retalham a traqueia ao engolir rispidamente cacos de vidro
Batalham por um dia extra, um dia por vez
A dolorosa decisão se é viver e ver outro dia nascer
Ou deixar-se levar, abandonar uma consciência e
Deixar aqui navegando por oceanos tempestuosos
Ou que cessam uma suposta energia inesgotável
Corroendo meus ossos, esmagando o cultivo de uma não juizado
Longe de púlpito, padre e anfitrião
Derramando com uma taça feita de um crânio
Batalham por um dia extra, um dia por vez
A dolorosa decisão se é viver e ver outro dia nascer
Ou deixar-se levar, abandonar uma consciência e
Deixar aqui navegando por oceanos tempestuosos
Ou que cessam uma suposta energia inesgotável
Corroendo meus ossos, esmagando o cultivo de uma não juizado
Longe de púlpito, padre e anfitrião
Derramando com uma taça feita de um crânio
Frio como argila, mas tão mole quanto barro
Não existe por vezes – nesse circuito vasto de vil contradição – um desejo
Cortejo de sentimentos comuns que supostamente deveriam sentir pena ou dó
Não existe por vezes – nesse circuito vasto de vil contradição – um desejo
Cortejo de sentimentos comuns que supostamente deveriam sentir pena ou dó
E por onde se espera uma continuidade e que deveria estar em retículo humanizante
Comentários repugnantes que parecem tentar carecer de punjância
Comentários repugnantes que parecem tentar carecer de punjância
Mastigam armísticios e explodem faces diante e também escondidas de uma culatra
Com mãos inebriadas da forma que mais interessar a quem ler e ver
Hediondas passagens de meus vetores cotidianos e dos devires
Quais é necessário suportar e também espreitar
Quais é necessário suportar e também espreitar
Volto a me perguntar como existe coragem no mundo em dizer
Atropelar e meditar sobre os contornos das ondas compridas
Que torpor útil visando elevar a existência e o fétido espirito de alguns
Embriagado e iludido por um caos sonolento, iludido por descansar vou indo
Reconstruir energias, coroado por papoulas e refocilar-me-ei para uma nova eternidade
E aquilo que me tornou áspero, grosseiro e exasperado, por agora
E aquilo que me tornou áspero, grosseiro e exasperado, por agora
Permite-me deitar intacto
Retornarei repetidamente diferente
E como eu já havia dito uma vez
Deixo aqui com vocês páginas do caderno de minha vida
E como eu já havia dito uma vez
Deixo aqui com vocês páginas do caderno de minha vida
Página esta que tentei criar por vários dias
Um acumulo, uma soma
Hoje uma prece colérica
Um acumulo, uma soma
Hoje uma prece colérica
quinta-feira, 2 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Arabescos
Se todo contexto é um pretexto, cabe agora misturar, bagunçar, amarrotar e ser um entrave para certas noções que a própria história buscar tratar, por exemplo o antropocentrismo do renascimento, o homem moderno e o antropocentrismo destrutivo contemporâneo. Categorias supostamente distintas, recortadas em suas temporalidades e com fronteiras tão finas que ignorá-las é atestar o desserviço e a inutilidade de certas “áreas do conhecimento”.
E como (talvez) fazer isso?
Em meu contexto pretexto, digo que acredito ter as ferramentas conceituas e de proposição para enunciar isso. O conhecer que venho a produzir é um mundo atrelado as minhas cognições. O mundo me permite pensar assim, bem como eu permito ao mundo que me faça pensar dessa forma.
E como (talvez) fazer isso?
Em meu contexto pretexto, digo que acredito ter as ferramentas conceituas e de proposição para enunciar isso. O conhecer que venho a produzir é um mundo atrelado as minhas cognições. O mundo me permite pensar assim, bem como eu permito ao mundo que me faça pensar dessa forma.
Tudo que é dito, foi dito por alguém.
Sou um "desserviçal" e nada do que foi dito parece ter sentido.
Sou um "desserviçal" e nada do que foi dito parece ter sentido.
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