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domingo, 22 de maio de 2011

Deus deixou de ser Deus quando decidiu por assim ser chamado.
O progresso deixou de progredir quando assim o chamaram.
Eu? Ah, eu lá sei?

Recado as sombras

Que pena dessa vontade de criar. É tão bom adorar o singelo.
Se não consegue adorar um poente, admire aqueles que conseguem adorar.
Mas se preferir, admire a si, pois não tens a necessidade de adoração.
És tão importante, pois diferente de mim, não precisa de um Sol.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Poema matinal

Na tua ausência faço desejos terríveis
Aqueles que você não deseja que eu faça
E muito menos eu
Mas como dominarei essa saudade?

Verdugo, algoz de todo meu corpo
Flagelo-me com chicotes que podem ser doces
Um tormento cotidiano
E onde os flertes com a solidão por vezes não bastam

Algemado e revolvido
Onde marcham milhões de tropas
Como um oceano que invade os mais belos campos
E quando volta a antes carrega tudo que lhe for possível

Desperta dentro de mim o Leviatã
O mais feroz e libidinoso dos tiranos
Um egoísta prazeroso
E com uma vontade insaciavelmente faminta

Fico apavorado por tua sedução
Pilha minhas palavras
Faz delas fogueira nesse frio
E labuta um beijo recheado de toques quentes

Se a meu peito rasgo de saudade
Ou se meu coração se faz diminuto
Se meu peito fica dilatado
Imagino que rasga também do teu seio

Um fraco fausto que faz falso pacto
Com desejo de insuflar as letras
Explodir e dinamitar as sentimentalidades
Em uma relação prometeica

Guardo a ti várias surpresas
Instintos que para a volúpia não bastarão
E os equilibristas e contorcionistas dentro de nós
Não saberão o que fazer

Irão dançar na beira do abismo
Em um barbante frágil
Daquele já dito amor
delicado e discreto, certo e claro, em laços atados e desatados

Organize tuas palavras e teu tempo
Para que assim eu sempre esgote teu fôlego e tuas energias
E consuma feito hulha tuas ansiedades e euforias
Permita-me invadir a ti, adentrar no palco de tua vida como aquele arlequim

Cria-me como criatura insone
Desperta sempre nos mesmo horários
E fita-me com teus olhos esmeralda
E dominarei a ti como um rei domina a mais feroz das rainhas

Não veja as horas
Sinta a mim e sinto a você
Respiração ofegante após uma tormenta oceânica e assim
Devora minha carne e feitiço faça com meu coração

Onde sonhar se faz chorar
Amor se torna ira
Luxuria se reveste de calmaria
Amo a mim como amo a ti
Pois sei que ama a mim também

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Se as nossas noites

são assim cheias de vinho rubro
Fico em chamas por imaginar como seriam as nossas madrugadas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cultivado

um hábito em usar como a maior e mais perigosa régua o homem, notamos uma notável (sic) disseminação do conhecimento e do desejo do mais inseguro dos animais. Tudo isso passa pelo crivo biográfico de um animal que tem a carência de tornar seus delírios e suas ambições um livro auto-biográfico, de contar tudo. E além do mais, fazer com que acreditem em tudo isso.

Quero explodir

de volúpia em tuas mãos e em teu corpo.
Quero que beba até minha ultima gota de sangue.
Morda a meu corpo como um ser faminto
Devora-me como teu mais sórdido pão.
Dá-me amor que te entrego sensações.
E permite a mim fazer o mesmo em troca.

O coelho é abatido em meio a tensão do exercício após o concurso

Odeio notas de fim. Sejam elas em artigos ou livros.¹