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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sobre o que uns diziam ser louco e outros que era só teimosia

Sobre o que uns diziam ser louco e outros que era só teimosia

Quem naquela estrada passava,
sempre encontrava um homem que
por mais alto que fosse o matagal
teimava de encontrar seu caminho,
ali na beirada da estrada.

Alguns o perguntavam:
“O que você ainda faz aqui?”
“Vá seguindo esse caminho já pisoteado, 
pois tem cidade ali em frente. Lá tem cama, comida e água quente.”
E aquele sujeito que para alguns era só mais um coitado, 
louco ou pobre diabo, relutante respondia:
“Não sei, não quero. Minha morada é onde ninguém tem moradia.”
“Não a conforto que conforte a mente. 
E sei que há um caminho fora dessa estrada. Sempre há!”

Caravanas, mercadores, tropas, cortejos, 
viajantes e tudo mais que se pode imaginar.
Por vezes, até a cidade o homem ia, mas ao chegar lá,
percebia uma noite mais fria, faces opacas e uma comida amarga.
Na calada da madruga partia, 
e o sereno mais que um cobertor o acolhia.
Famintos, desabrigados e viciados,
na saída da cidade de tudo se via.

Sua cabeça? Nem gorro aquecia. No caminho,
trocavam um pão, um tijolo e o que mais fosse 
Só por um pouco de sua sabedoria.
E, depois te ser ido ao seu abrigo,
no fim da noite, enquanto o clarão do dia rugia,
voltava a beira da estrada e quem novamente o avistava
Dizia :
“Deve ser só teimosia”.

Pois, junto as pedras com que ficava
Sabia que ao meio delas 
o seu caminho iria pisar.
E assim espera, todo dia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A vergonha também inibida por forças externas e igualmente medíocres


Quem sou?
Sou eu,
Querendo ser Artaud.
Vencido por tropas e estandartes de preguiça,
De um vazio que só é faminto por si mesmo.
Canibal, neurótico e com neurônios devorando glóbulos.
Vigio-me, torturo-me e dito confuso:
- Sou meu próprio ditador. Sim,sou. Ave!

Calado, na tão falante noite, expurgo.
Êxodo de demônios cujo seu sangue é ódio.
Vertigens. O mundo não para. A noite bate a porta
Exigindo seus minutos de volta. O pior exemplar de minha herança,
Uma vergonha para a espécie, para a família e para o espirito.
Agora sou Rimbaud, e por tantos habitarem em mim, já não consigo ter um eu.
Sou Withman
Sou tantos que pareço desfigurado,tosco, roto e desgranhado.
A minha vergonha e ter de ser o que sou.

Lutei com Aníbal, Napoleão, Bismarck
Na Sibéria, no Golfo 
Nunca lutei como luto contra minha alma
E jamais havia viajado como consigo delirar em mim.

De mediocridade meu coração é cheio.
Sou o santo dos robôs 
E o déspota dos vagabundos.
A intensidade da morte e a tolice de a querer
A essa vida castrada e condenada por neurotizações toscas
Onde a preguiça e o desprazer tem heráldicas atestando sua soberania
Sou o mais baixo dos gauleses
Resta-me a barbárie 



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Só no mau vento,
Longe de folha morta.
Deito na relva com a vida,
Tal folha que a árvore aborta

domingo, 4 de novembro de 2012

Não consegui
gestar filhos da eternidade.
Abortei à todos.
Tumultuei meu túmulo
onde jamais irá jazer um só,
mas sim. milhares de vidas,
vidas minhas e dos natimortos.
Peles do meu corpo
De um espirito que já não goza,
mas hoje só esvai por meu corpo nu
sem pele, sem vida
e só com minha rubra carne
que implora por escapar
e clama de hediondas formas.
Assume teu rumo,
cria as formas que lhe são possíveis.
Transubstancia tuas energias
e tuas forças
Faz do mundo o teu mundo
por teus milhares de mundos

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Eu sou,
O que sou.
Mas nem em milhares de pedaços,
Eu conseguiria mostrar
Os tantos que existem em mim.

A vida
Arranhada e amarrotada
Já não cabe
em minha vida.

Preciso fazer
tantas outras
Por tantos meios
Por tantas vidas

Para sentir-se vivo
E o que há de vivo

sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre ontem


Antes parecia haver algo de poesia, a agonia pertencia ao préstito dos homens e ao banquete dos demônios.
Vazio como a casa pegando fogo, como uma casca da fortaleza do oco. O que há de vivo é a minha tolice que sai por um rubor da face esquerda. Há sangue que não corre e muito menos escorre.
Quais proveitos faço do despotismo da felicidade? Inclusive a felicidade autoritária é infeliz.
Se quando venho do silencio, do que perturba, de uma dor e da vontade imediata de inexistência que como um ardiloso veneno e que escancara o ventre de uma desejosa solidão a qual parece ser mais possível de meu deleite. Mas só há eu em meu pensamento, já que não existem operações suficientes para fugir da solidão da alma.