Qual o motivo para um Deus que em algum momento, por lapso, epifania, bel prazer, sem justificativa aparente ou por simples desejo cria todo um universo e assim (talvez) sujeita todos os seus seres e ao mesmo tempo necessitar da fé de cada um deles?
Ocidental demais e pouco digno de religiosidade esse Deus. Porém, quando se está agarrado a solidão e talvez o tédio seja o único companheiro (sic), a principal saída é criar um universo e se possível soprar vida para aqueles que irão dar sentido a sua própria existência. Genealogia da carência.
É a imagem e semelhança pois tanto quanto eu e você, d(D)eus também tem seus momentos de tédio, solidão e não sabe lidar com eles. Imagem e semelhança pois sempre é possível criar um universo, seja divagando antes do sono, ao tomar um cálice de vinho ou então ao escrever no inicio da noite de terça feira.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Prever o futuro não é uma dádiva, longe disso. A pior das maldições é não ter o sabor do imprevisto e estar ciente das aflições e tristezas futuras.
Prefiro lidar com meu presente e degustar lentamente as minhas felicidades e também as minhas tristezas.
Tolice é fugir de todos os sentimentos que a vida proporciona, já que mesmo encarcerado no Walden ainda não foi possível falar abertamente a máxima : "que ao morrer, descobrir que não havia vivido".
Prefiro lidar com meu presente e degustar lentamente as minhas felicidades e também as minhas tristezas.
Tolice é fugir de todos os sentimentos que a vida proporciona, já que mesmo encarcerado no Walden ainda não foi possível falar abertamente a máxima : "que ao morrer, descobrir que não havia vivido".
Aqueles personagens utópicos, revolucionários e com faces rotas acabaram por sentar no meio fio da História, sentaram na rabeira do tempo e ficaram de joelhos para o presente. Como fazer porvir aquilo que foi projetado no passado? Como fazer do que passou um imprevisto? Pegar o que não foi vivenciado, já é passado e tentar escrever na incerteza do futuro, esse algoz cujos atos são impossíveis de antecipar.
domingo, 24 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Tragicomédia
De todas as máscaras que temos
Se assim as reconhecemos
Quando colega, juiz, padre
Amante, parente ou amigo
Vem nelas tentar escarrar
É formidavelmente triste
E ardilosamente cruel
Saber qual delas a próxima usar
Assim não sucumbimos quando um outro
Vem a cada um de nós desmascarar
Se nossos personagens por tempos
Já vem aterrorizar
Narciso não jaz por ser belo
Mas por ter conhecido
Aquilo que nem sabia ter concebido
E pensar que o teatro grego acabou quando o último soldado persa naquela região marchou
Se assim as reconhecemos
Quando colega, juiz, padre
Amante, parente ou amigo
Vem nelas tentar escarrar
É formidavelmente triste
E ardilosamente cruel
Saber qual delas a próxima usar
Assim não sucumbimos quando um outro
Vem a cada um de nós desmascarar
Se nossos personagens por tempos
Já vem aterrorizar
Narciso não jaz por ser belo
Mas por ter conhecido
Aquilo que nem sabia ter concebido
E pensar que o teatro grego acabou quando o último soldado persa naquela região marchou
domingo, 10 de julho de 2011
Poderei gritar em teus ouvidos, vociferar as mais lacerantes palavras e negar-te-ei pensamentos para te criar a paz.
Pois quero negar isso a minha pessoa também. Quero que vejam as vilosidades, o quão viscoso é esse real.
Dilacerem teus inimigos que lhe parecem tão amigos. Arrebente a cada um deles. Retalhe as representações.
Não enxerga as cores, não tateia superfícies, não sente de fato os amores, nunca se dá conta de quais paixões e vetores te atravessam.
Não irei ser um fantasma que assombra buscando deitar a cada um sob o dossel de uma serena claridade da noite.
Jamais.
Farei isso talvez por não conseguir realizar comigo. Não te farei de baluarte, pois se irá ser uma fortaleza para mim é por que eu sei onde estão as tuas fendas, tuas fossas abissais e que talvez eu conheça os abismos que estão dentro dessa edificação.
Como não refletir ou projetar? Todos os reflexos de nossa face são débeis diante das superfícies do mundo.
Eu sou o que eu nem mesmo sei que sou.
Cada um de vocês que crie o Lucas que lhe cabe. Que deixe a vocês felizes. Mas não esperem júbilos de companhia. Não sou santo, divindade ou robô.Só humano, demasiadamente humano.
Ver os teus abismos, suas alegrias, tuas aflições, teus sorrisos, suas lagrimas, tuas angustias, sua solidão, o prazer da tua companhia. Quero esse tua nervura do real. Saber que estamos sentido a vida em todas as suas possíveis intensidades. Sem medo (e inclusive sentir o medo) de vive-la. Pois essa vida é uma companheira tão veloz, inexperiente e serena. Que simplesmente passa, passa e passa. Mas que volta em pássaro, em vento, em ar, em vida, em oceanos, em sibilos asmáticos, em uma esmola, em um naco de pão, solidões, tristezas...
Talvez esse mundo seja grande demais para ser desperdiçado em um simples texto.
Quero sentir a tudo passar
Para sentir novamente
Retornar
E ter conhecido a tudo, até onde o meu tudo foi possível
Pois quero negar isso a minha pessoa também. Quero que vejam as vilosidades, o quão viscoso é esse real.
Dilacerem teus inimigos que lhe parecem tão amigos. Arrebente a cada um deles. Retalhe as representações.
Não enxerga as cores, não tateia superfícies, não sente de fato os amores, nunca se dá conta de quais paixões e vetores te atravessam.
Não irei ser um fantasma que assombra buscando deitar a cada um sob o dossel de uma serena claridade da noite.
Jamais.
Farei isso talvez por não conseguir realizar comigo. Não te farei de baluarte, pois se irá ser uma fortaleza para mim é por que eu sei onde estão as tuas fendas, tuas fossas abissais e que talvez eu conheça os abismos que estão dentro dessa edificação.
Como não refletir ou projetar? Todos os reflexos de nossa face são débeis diante das superfícies do mundo.
Eu sou o que eu nem mesmo sei que sou.
Cada um de vocês que crie o Lucas que lhe cabe. Que deixe a vocês felizes. Mas não esperem júbilos de companhia. Não sou santo, divindade ou robô.Só humano, demasiadamente humano.
Ver os teus abismos, suas alegrias, tuas aflições, teus sorrisos, suas lagrimas, tuas angustias, sua solidão, o prazer da tua companhia. Quero esse tua nervura do real. Saber que estamos sentido a vida em todas as suas possíveis intensidades. Sem medo (e inclusive sentir o medo) de vive-la. Pois essa vida é uma companheira tão veloz, inexperiente e serena. Que simplesmente passa, passa e passa. Mas que volta em pássaro, em vento, em ar, em vida, em oceanos, em sibilos asmáticos, em uma esmola, em um naco de pão, solidões, tristezas...
Talvez esse mundo seja grande demais para ser desperdiçado em um simples texto.
Quero sentir a tudo passar
Para sentir novamente
Retornar
E ter conhecido a tudo, até onde o meu tudo foi possível
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